uma vez flamengo… seis vezes flamengo
Parabéns ao Flamengo pelo seu sexto título brasileiro de futebol.
Mas verdade seja dita: o time da Gávea não era a melhor equipe da competição.
Apesar de todos méritos do rubro-negro, o título deveria ter ido para o Internacional de Porto Alegre (como estava indo até que, no Maracanã, aos 24 minutos do segundo tempo, o zagueiro Ronaldo Angelim marcou o gol do titulo flamenguista).
Aqueles que defendem o campeonato de pontos corridos afirmam que esse sistema seria mais “justo” do que, por exemplo, um quadrangular final.
(Muitos pensam que “justiça” e futebol tenham algo a ver, ignorando o azar, essa coisa maravilhosa que muitas vezes decide um jogo ou um campeonato.)
Para complicar um pouco a questão, este ano o Flamengo foi beneficiado justamente pelo tal sistema de pontos corridos. O rubro-negro encarou, nas duas últimas rodadas, Corinthians e Grêmio, times cujo único interesse ao enfrentar o time carioca era… perder.
O primeiro, para prejudicar o rival São Paulo; o outro, para impedir o título do Internacional.
Esses times não necessarimanete perderam seus jogos de maneira deliberada. Porém, também não tinham motivação nenhuma para vencê-los. E se essas partidas valessem algo a mais para Corinthians e Grêmio? Teríamos os mesmos resultados?
Impossível saber.
De qualquer forma, certo corpo mole parece ter sido decisivo na reta final desse brasileirão de pontos corridos. O que não tira os méritos do Flamengo.
O rubro-negro não deve essa conquista a Adriano ou Petkovic, mas a Andrade.
Meio campo do Flamengo no início dos anos 1980 ao lado de Zico e Adílio, Andrade assumiu o cargo em julho, enfrentando desconfianças de todos os lados. Terminou como o primeiro treinador negro a ser campeão brasileiro.
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Outro que assumiu o cargo em julho foi Muricy Ramalho, no Palmeiras.
O primeiro jogo do Palmeiras sob o comando de Muricy foi uma vitória sobre o Fluminense. O time chegava ao primeiro lugar na tabela. Pouco mais de quatro meses depois, após ser derrotado pelo Botafogo por 2×1 no Engenhão, terminou o campeonato em quinto, fora da zona de classificação da Libertadores.
A torcida alviverde deve estar pensando: se Jorginho tivesse continuado no time, teria se tornado outro Andrade? Um “interino que deu certo”?
Impossível saber.
Um fim melancólico para um dos favoritos ao título.
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uniban vs. geisy arruda

Há alguns dias, muito se comenta sobre o caso Geisy Arruda.
Parece haver muito pouco a acrescentar aos comentários do blog de Inácio Araújo, escritos logo que a Uniban (ou Unitaleban, conforme piada que circula pela internet) expulsou a aluna.
Se alguém ainda não sabe, em 22 de outubro, Geisy Arruda foi hostilizada por colegas da universidade devido à suposta falta de decoro de suas vestimentas. Em 7 de novembro, a universidade resolveu expulsar a estudante. A razão alegada: “desrespeito à dignidade acadêmica e à moralidade”. Depois, a Uniban voltou atrás na decisão, mas Geisy já tinha se tornado uma celebridade instantânea. Atualmente, aproveita seus 15 minutos de fama.
Na Folha de S. Paulo de sábado, 7 de novembro, Hélio Schwartsman escreveu uma bela análise do caso, tocando nas razões psicológicas da expulsão da garota. Parece óbvio que Geisy serviu de bode expiatório. Uma espécie de Maria Madalena moderna, apedrejada pela multidão enfurecida, mas (diferentemente da personagem bíblica) sem nenhuma culpa.
Muitos lembraram que uma instituição de ensino possui padrões de vestimenta e conduta. Foram citadas universidades internacionais de renome, que zelam pelo bom comportamento de seus alunos.
O primeiro problema: essas regras não estavam claras na Uniban. Muitas outras jovens universitárias usam roupas curtas ou, para usar o jargão popular, “provocantes”. O que determina que Geisy tenha “forçado a barra” e as demais não? Tenta-se agora inventar um limite claro para o que antes era fugidio. Mas isso não é o mais grave.
Assusta ver que a questão tenha se resumido a isso: se Geisy errou ou não na escolha do figurino. Vamos imaginar que uma universidade internacional de renome receba em seus corredores a exuberante Geisy Arruda. O que aconteceria? Talvez suspiros de escândalo, olhares de reprovação. Provavelmente uma suspensão à aluna. Mas o que se viu na Uniban foi muito além disso: tratava-se de uma turba ensandecida aparentemente disposta ao estupro e ao linchamento. Quando se compara o Brasil com o estrangeiro, leva-se em conta as roupas da aluna, mas não a reação de seus colegas.
Ao provocá-los, Geisy revelou o machismo da instituição de ensino e da sociedade como um todo. O caso diz menos da aluna (portanto, é inócuo tentar saber se ela errou ou não) do que dos demais estudantes, do nível de frustração a que estão submetidos e da maneira como lidam com o desejo. Não parece sem sentido lembrar que hoje em dia as universidades são vistas unicamente como maneiras de ascensão social (e de maior poder de consumo, ou seja, maior possibilidade de realizar seus desejos).
Por outro lado, a sexualidade de Geisy, que serviu como elemento de transgressão, corre agora o risco de ser “domesticada” em capas de revista masculina. Os mesmos que a hostilizaram (ou que seriam capazer de) agora pagarão alguns tostões para vê-la fazendo poses padronizadas em imagens de photoshop. Tudo muito correto, tudo muito comportado.
Uma vez “domesticada”, Geisy deixa de ser transgressora e se transforma em atração. Enquanto isso, a turba ensandecida permanece esquecida. Mais do que responsabilizá-los individualmente, é necessário pensar sobre suas motivações. Algo que diz muito sobre as universidades brasileiras, sobre o machismo e o conservadorismo do país e sobre como o Brasil lida com sua sexualidade.
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3 na copa

Os queridos amigos Dárcio Ricca, Ricardo Senise e Anna Fagundes convidaram o autor deste blog para participar do programa 3 na Copa, podcast sobre futebol que chega a sua décima-terceira edição inaugurando o quadro “cururu com tutano”.
A gravação, realizada no Café Pequeno, no último dia 26 de setembro, foi especialmente agradável e divertida, como vocês podem conferir pela foto acima (com Dárcio, Camarneiro e Senise) e no próprio programa:
Aqui, o arquivo para download.
Vida longa ao 3 na Copa!
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carta ao mano

Caro Mano Menezes,
Como você bem sabe, todo mundo que gosta de futebol tem um lado técnico. Mas, entre tantos amadores e seletos profissionais, acredito que você ainda é o melhor técnico do Brasil no momento.
Muitos vão reclamar dessa afirmação. Deixo claro que não se trata de desmerecer seus colegas Muricy Ramalho ou Vanderlei Luxemburgo (também excelentes). É apenas afirmar que, ao que parece, você tem mais visão de jogo e defende um futebol mais bonito de se ver.
Mano, como você bem sabe, ser treinador de uma equipe grande como o Corinthians não é fácil, ainda mais com uma Libertadores pela frente no ano do centenário do clube. Após a derrota para o Atlético PR em pleno Pacaembu, no último sábado, 3 de outubro, você avisou que pretende mudar o esquema tático do time. O 4-3-3 (que garantiu dois títulos este ano, do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil) não está mais dando certo.
Claro que poucos entendem de futebol como você. Menos gente ainda sabe do cotidiano do clube, da relação com os atletas, da quantidade de fatores levados em consideração para se tomar uma decisão dessas. Mesmo assim, quero deixar aqui uma dica, que você pode perfeitamente desconsiderar.
O esquema seria o 3-5-2. Os zagueiros: Chicão, William e Diego. No meio: na direita, Alessandro; Elias (ou Jucilei) como volante; Defederico e Edno (garantindo a armação das jogadas) e, na esquerda, uma surpresa: Jorge Henrique. Na frente: Ronaldo e Dentinho.
A ideia do Jorge Henrique na esquerda veio, na verdade, do Victor Birner, em um comentário feito há algumas semanas na rádio CBN. À primeira vista, achei estranho. Depois, pensei melhor e percebi que havia algo bastante sensato aí.
Se Jorge Henrique preencher o vazio que existe no lado esquerdo do time desde a saída do André Santos, então, Mano, você terá conseguido transformar o Jorge em um dos mais versáteis jogadores do elenco corinthiano desde sempre!
Além disso, esse esquema poderia garantir uma zaga reforçada, e também dois jogadores atuando nas pontas (Alessandro e Jorge Henrique) que sabem avançar para o ataque e marcam muito bem. Defederido e Edno, uma vez bem entrosados, podem garantir a qualidade da armação. E, para Dentinho e Ronaldo, restaria caprichar na pontaria e mandar a bola para as redes.
Talvez nada disso faça muito sentido, mas não tem problema. Termino mandando votos de boa sorte e torcendo para que você encontre ainda um outro esquema tático, oxalá muito melhor que este aqui!
Um grande abraço do
Fabio Camarneiro
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camarneiro

Camarneiros, uni-vos!
Sempre tive muita curiosidade sobre a origem de meu sobrenome português (ou “apelido”, como dizem por lá). Porém (mea culpa) nunca fui muito atrás disso.
Um dia, ao colocar “Camarneiro” em alguns sites de busca, em meio a alguns registros de Camarneiros (todos nascidos no final do século XIX, em Febres, Cantanhede, Coimbra, Portugal) deparei-me com um registro que especialmente chamou minha atenção.
Meu pai.
As informações estavam corretas e, segundo a página, foram cadastradas por um membro da LDS Church (Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, ou Latter-Day Saints).
Depois, com mais meia dúzia de cliques, descobri a freguesia de Febres. E, ao seu lado, outra freguesia mais recente, chamada (pasmem) Camarneira.
Parece que o sobrenome dos parentes nascidos em Febres, a princípio, se refere a lugares que, mais tarde, seriam promovidos à tal freguesia. Vale lembrar que, em Portugal, freguesia é o nome das menores divisões administrativas de um concelho (ou município). Como uma subprefeitura ou um distrito no Brasil.
A freguesia de Camarneira possui um site (no qual se encontram o brasão, a bandeira e o selo que ilustram este post).
Lá, explica-se também a origem do nome:
Camarneira é topónimo de algo rara ocorrência, podendo eventualmente aludir a uma circunstância local relacionada com suposta abundância de produção hortícola leguminosa, já que aquele termo se constituirá como provincianismo que exprimirá, em relação às plantas leguminosas que ostentam expressiva fartura de vagens.
Camarneira é local antigo integrado nos domínios do Frades Crúzios que no tempo da Fundação da Nacionalidade, (D. Afonso Henriques), viviam no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra. O nome Camarneira terá vindo de Câmara + areia, pela proximidade que noutros tempos existia com a areia do mar. Depois, pelas alterações linguísticas, ficou Camarneira.
Mas essa explicação não convence muito. Por séculos, a península ibérica foi dominada pelos árabes, e “Camarneiro” parece soar um pouco mouro. Basta lembrar do nome de Ali Khamenei, aiatolá e ex-presidente iraniano.
A origem do nome deve estar em outro lugar.
Meus queridos parentes de sobrenome Camarneiro, quem tiver outras informações sobre a família, favor encaminhá-las a este blog.
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cafeteira italiana

Café é uma paixão.
Em seu livro História do mundo em seis copos, Tom Standage elege o café como uma das seis bebidas mais importantes da humanidade. Durante os séculos XVIII e XIX, na revolução industrial, foi o café que manteve acordados os trabalhadores nas fábricas.

Um clássico artefato para o preparo da bebida é o modelo conhecido como “cafeteira italiana”, criada em 1933 pelo italiano Alfonso Bialetti.
Feitas de alumínio, as cafeteiras italianas usam a pressão da água no preparo da bebida, processo semelhante ao de uma máquina de espresso. Dessa forma, o café sai mais encorpado e com mais aroma.
Além da escolha do grão e da sua correta estocagem (o café absorve outros odores, por isso deve ser conservado em embalagens hermeticamente fechadas), algumas dicas para o preparo de uma boa xícara da bebida na cafeteira italiana: use água na tempeartura ambiente; preencha totalmente as partes reservadas para a água e o pó; deixe a água aquecer lentamente; quando o café começar a subir, abra a tampa para evitar que o café fique “aguado”; não deixe toda a água subir, nem o café começar a borbulhar.
Aqui, artigo de João Luís de Almeida Machado sobre a história do café.
Registro aqui meu agradecimento aos irmãos Raquel e André Bertoluci, donos do Café Pequeno (cafeteria e restaurante muito agradável na Vila Madalena, em São Paulo) e à barista Talita Scalabrini, que muito me ensinam sobre a bebida.
Bom proveito!
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cervejaria colorado

A cerveja Colorado, produzida em Ribeirão Preto, foi uma grata surpresa ao paladar.
Uma pesquisa sobre a marca descobriu o blog de Rodrigo Campos, muito interessante para os apreciadores da bebida.
Abaixo, as descrições feitas pelo autor:
A Cervejaria Colorado foi fundada no ano de 1995 na cidade de Ribeirão Preto, conhecida pelo seu famoso chope. O carioca Marcelo Carneiro é o responsável pela empreitada. A cervejaria produz chope e cervejas engarrafadas e toda a água utilizada na fabricação dos produtos é captada do aquífero Guarany, uma das maiores e mais puras reservas de água doce do mundo.
A Colorado produz cervejas diferenciadas não somente pela sua qualidade, mas também pelo uso de ingredientes inusitados e genuinamente brasileiros nas suas receitas. Atualmente são produzidas quatro cervejas diferentes:
Colorado Cauim: Cerveja Pilsen com mandioca. O nome Cauim em Tupi se refere a uma bebida fermentada de cereais e mandioca que era produzida pelos índios.
Colorado Appia: Cerveja de trigo com mel de abelhas européias e africanas.
Colorado Indica: Cerveja India Pale Ale (IPA) feita com rapadura. O estilo IPA foi criado pelos britânicos para transportar suas cervejas nas viagens marítimas para a colônia, a Índia. As cervejas estragavam durante a longa viagem. Para prolongar a validade das cervejas foram acrescentadas grandes quantidades de lúpulo, que possui propriedades conservantes.
Colorado Demoiselle: Cerveja Porter com café. O nome Demoiselle é uma homenagem a Alberto Santos Dumont, pois sua família era proprietária de fazendas de café na região de Ribeirão Preto. Demoiselle foi o nome de um dos aviões criados por Santos Dumont. A receita da Demoiselle foi criada com a colaboração do cervejeiro caseiro Ricardo Rosa.
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lei antifumo

Publico com certo atraso alguns comentários sobre a implantação da lei antifumo no estado de São Paulo, em vigor desde 7 de agosto.
Em noites de sexta-feira ou sábado, as calçadas da rua Augusta (entre as ruas Luis Coelho e Antônio Carlos) se transformam num fumódromo ao ar livre. É mais divertido ficar do lado de fora do que do lado de dentro dos bares.
O espaço para os pedestres se transforma em depósito de bituca. E não se pode culpar os fumantes, porque a lei proibe também o uso de cinzeiros nos bares e nas calçadas, sob pena de multa.
A sujeira vai aumentando. Contam que a prefeitura diminuiu o número de garis nas ruas (o que qualquer um que frequente as ruas do centro da cidade pode ver com os próprios olhos). Nas áreas boêmias, os atendentes dos bares ficam confusos: compra-se a cerveja dentro e consome-se fora do bar. Muitos começaram a cobrar antecipadamente de seus fregueses (pegou, pagou), na tentativa de se prevenir contra eventuais fujões.
O resumo é uma feliz balbúrdia, uma bagunça muito agradável. Por mais que se tente limitar as liberdades individuais, é interessante perceber que a desordem possui anticorpos contra o sistema: quanto mais proibições (legítimas ou não), mais caos aparecerá.
(A quem interessar possa, aviso: não sou fumante.)
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flavio florence

Sábado e domingo (12 e 13 de setembro), a Orquestra Sinfônica de Santo André realizou dois concertos em homenagem ao maestro Flavio Florence, cujo falecimento completa um ano em 21 de setembro.
Florence foi embora cedo demais, aos 51 anos, vítima de câncer. Mesmo assim, deixou seu legado na Sinfônica de Santo André, que dirigiu por duas décadas.
Adolescente, aprendi muito sobre música com o maestro: em sessões de entrada gratuita, no Teatro Municipal de Santo André, Florence fazia questão de explicar ao público o funcionamento da orquestra. De maneira didática, ele introduzia e comentava as peças a serem executadas.
Lembro de “A sagração da primavera”, de Stravinski. O maestro pedia que a orquestra executasse alguns compassos da “Dança do fogo”, e depois explicava a importância daquele trecho para a história da música ocidental.
Recordo ainda outros concertos, com obras de Mozart, Vivaldi, Gershwin etc. O maestro sabia que uma orquestra só existe com uma plateia. Logo, a formação do público era uma de suas metas.
Nos concertos em memória a Flavio Florence, a orquestra foi conduzida por Carlos Moreno. No programa, a “Tocata sinfônica” do brasileiro Ricardo Tacuchian, o “Concerto nº 1 para piano e orquestra, em Bb menor”, de Piotr Tchaikovski (com a solista Eun Young Lee), e o poema sinfônico “Don Juan”, de Richard Strauss.
A execução foi correta, com vários momentos de brilho, especialmente no concerto de Tchaikovski.
Fica a saudade e o agradecimento ao maestro Flavio Florence. Fica também o projeto (citado pelo maestro Carlos Moreno antes da apresentação) de editar em livro as colunas que Florence escreveu para a revista Concerto.
Aqui, texto de Thiago Mariano, publicado no Diário do Grande ABC, sobre a trajetória do maestro.
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escola livre de teatro

A Escola Livre de Teatro de Santo André passa por um momento difícil, conforme explica seu blog (texto reproduzido abaixo).
Como ex-aluno da ELT, onde estudei direção teatral e dramaturgia, peço que espalhem a notícia, bem como o site do Movimento Livre Santo André, que acompanha de perto as manifestações pela manutenção do projeto original da Escola.
A Escola Livre de Teatro de Santo André (ELT), projeto artístico-pedagógico que se firmou como referência para a formação de atores no Brasil e que se aproxima agora dos seus 20 anos de enraizamento na cidade, acaba de ter seu coordenador, o ator Edgar Castro, sumariamente demitido.
Nesta sexta-feira, onze de setembro, artistas representantes dos principais coletivos de artes cênicas das cidades de Santo André e São Paulo – entre os confirmados, as atrizes Maria Alice Vergueiro e Leona Cavalli, o ator Antônio Petrim, os diretores Francisco Medeiros e Cibele Forjaz – farão um ato público em prol da manutenção do projeto artístico-pedagógico original, que se encontra ameaçado.
Internacionalmente conhecida por seu projeto inovador desde sua fundação, em 1990, a ELT foi idealizada pela artista-pedagoga Maria Thaís Lima Santos, (hoje professora doutora da USP e coordenadora do TUSP), e coerentemente transformada pela experiência e pelos diversos mestres que passaram por ela tais como: Luis Alberto de Abreu, Antonio Araújo, Tiche Vianna, Francisco Medeiros, Cacá Carvalho, Renata Zhaneta, Cibele Forjaz, Cláudia Schapira, Denise Weinberg, Sergio de Carvalho.Da palavra “Livre” – presente no nome da Escola – emerge um campo pedagógico próprio, que pressupõe o conceito de deliberação coletiva, derivado do contínuo diálogo entre mestres, aprendizes e funcionários (constituintes legítimos da comunidade ELT), num processo de não-hierarquização, radicalmente contrário a imposições.
Desde o final do ano passado, após a eleição do atual prefeito Dr. Aidan Ravin, a comunidade da Escola Livre de Teatro tem se reunido para conhecer o projeto cultural para a cidade de Santo André. Em 28 de novembro, organizou um ato público, o Encontro Cultural da Cidade, quando se esperava como convidado principal Dr. Aidan Ravin. O então futuro prefeito não compareceu, mas fez-se presente através de seus assessores e do vereador recém eleito Gilberto do Primavera, que firmou publicamente seu compromisso com a cultura da cidade e com a manutenção do projeto original da ELT.
No entanto, como primeira medida, designaram para escola uma nova coordenadora não pertencente ao quadro de mestres e desconhecedora do projeto em curso. Em assembléia geral da escola, em 3 de fevereiro de 2009, com a presença de toda comunidade ELT e da coordenadora, o atual Secretário de Cultura, sr. Edson Salvo Melo, não só reiterou a continuidade do projeto artístico-pedagógico como também acenou a reforma física do prédio da ELT, readequando o espaço para as atuais necessidades da escola.
Passados oito meses da nova gestão, de contínuas tentativas de diálogo entre a comunidade, a coordenadora sra. Eliana Gonçalves e os funcionários também recém transferidos para a escola, encontros mediados pelo coordenador Edgar Castro (mestre da escola há 11 anos), fomos surpreendidos por esta repentina demissão feita pelo diretor de cultura Sr. Pedro Botaro no dia oito de setembro.
No ato público os artistas entregarão uma carta ao Secretário de Cultura, Esporte, Lazer e Turismo, sr. Edson Salvo Melo. A idéia é pedir que se reveja a demissão de Edgar Castro – escolhido democraticamente pela comunidade escolar e com ampla aderência de todos – e a que se possa dialogar sobre a presença da sra. Eliana Gonçalves.A concentração para o ato será às 14h em frente à ELT:
Praça Rui Barbosa s/ nº, bairro Santa Terezinha, Santo André.
Segue em passeata até o Paço Municipal de Santo André.
Os interessados também poderão participar do movimento que reivindica a manutenção do projeto pelo blog: www.movimentolivre-sa.blogspot.com
Aqui, matéria do Diário do Grande ABC sobre a conversa entre a Escola Livre de Teatro e o secretário de cultura do município.
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