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lei antifumo

Posted in cidades by Fabio Camarneiro on 17/09/2009

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Publico com certo atraso alguns comentários sobre a implantação da lei antifumo no estado de São Paulo, em vigor desde 7 de agosto.

Em noites de sexta-feira ou sábado, as calçadas da rua Augusta (entre as ruas Luis Coelho e Antônio Carlos) se transformam num fumódromo ao ar livre. É mais divertido ficar do lado de fora do que do lado de dentro dos bares.

O espaço para os pedestres se transforma em depósito de bituca. E não se pode culpar os fumantes, porque a lei proibe também o uso de cinzeiros nos bares e nas calçadas, sob pena de multa.

A sujeira vai aumentando. Contam que a prefeitura diminuiu o número de garis nas ruas (o que qualquer um que frequente as ruas do centro da cidade pode ver com os próprios olhos). Nas áreas boêmias, os atendentes dos bares ficam confusos: compra-se a cerveja dentro e consome-se fora do bar. Muitos começaram a cobrar antecipadamente de seus fregueses (pegou, pagou), na tentativa de se prevenir contra eventuais fujões.

O resumo é uma feliz balbúrdia, uma bagunça muito agradável. Por mais que se tente limitar as liberdades individuais, é interessante perceber que a desordem possui anticorpos contra o sistema: quanto mais proibições (legítimas ou não), mais caos aparecerá.

(A quem interessar possa, aviso: não sou fumante.)

faltou a foto

Posted in cidades by Fabio Camarneiro on 02/09/2009

A rua Joaquim Gustavo fica entre a praça da República e a rua Aurora. Ali dormem vários sem-teto, alguns deles talvez “expulsos” da cracolândia que, como todo mundo sabe, é uma área que cada dia mais se transforma em bom negócio para investidores — ao menos é o que deseja a prefeitura.

Um grande problema para transformar a cracolândia numa área “limpa” são eles: os moradores de rua. A solução (a mesma de sempre): enxotá-los para outro lugar. Ou, para aproveitar as revoltantes metáforas de limpeza utilizadas pela prefeitura, varrê-los para baixo do tapete. Resultado: aquela gente está deixando a área da Luz e chegando à República.

O problema não é resolvido, mas empurrado para outro lugar, de preferência longe dos olhos do eleitorado.

Quarta-feira, 2 de setembro, quatro e meia da tarde, calor de 32 graus, umidade relativa do ar baixíssima em São Paulo. Um caminhão da prefeitura molha as ruas da rua Joaquim Gustavo. É um alívio: a umidade melhora um pouco, a sensação é boa.

Mas é também um jato d’água caindo sobre a “cama” (se é que dá para usar essa palavra) daquelas pessoas. Todos se dispersam. Não faz mais sentido deitar ali, na calçada molhada.

Perdi a foto: o caminhão da prefeitura, funcionários uniformizados de mangueira em punho, aquela coisa bonita que é um jato de água na luz de uma tarde de sol. E num canto, amontoados na calçada do outro lado da rua, sem saber o que fazer, um grupo de moradores de rua.

Faltou a imagem para ilustrar esse texto. Mas não deve ser difícil conseguir. É bem possível que a cena se repita com frequência.

rio de janeiro

Posted in cidades by Fabio Camarneiro on 01/09/2009

rio de janeiro

A visita de um paulista ao Rio provoca a incansável comparação com São Paulo.

A intenção não é decidir qual das duas cidades é “melhor”. São muito diferentes entre si e, de muitas maneiras, complementares. (Talvez o ideal fosse viver metade do tempo lá e a outra metade cá.)

A tentativa é tentar entender um pouco melhor o Rio de Janeiro a partir do olhar de um paulista. Desse lugar bastante complexo, registro algumas breves impressões:

Logo ao desembarcar, na rodoviária, uma confusão com o troco. Um pequeno desentendimento, que lembrou os versos da música de Chico Buarque: “agora já não é normal / o que dá de malandro regular, profissional”… Claro que a pequena malandragem existe em qualquer lugar, mas ela parece estar entranhada nas relações mais cotidianas dos cariocas. É uma cultura do “bobeou, dançou”. Há que se “estar esperto” no Rio.

Pode-se comer muito bem ou muito mal na “cidade maravilhosa”. E também, o que é comum, pode-se pagar bem mais caro do que pareceria justo. Em parte, isso se deve ao desconhecimento do visitante que tenta sempre “descobrir” lugares (e se frustra em alguns deles). Além disso, a cidade tem preços para turista internacional: uma comidinha em algum lugar mais arrumado na zona sul normalmente custa caríssimo (pelo menos para quem usa real, e não dólar ou euro).

Os cinemas sempre parecem menos lotados do que em São Paulo. No teatro, as opções de peças em cartaz parecem bem interessantes, e é reconfortante descobrir que Barbara Heliodora continua escrevendo em “O Globo”. (É uma tradição que sobrevive.) Mas no Rio, além dos eventos culturais, existem a praia, o passeio na Lagoa, o samba no botequim… Em São Paulo, samba no boteco vira evento com ingresso e divulgação na internet, tudo sempre a um passo do profissionalismo. No Rio, tudo parece mais espontâneo.

Depois de citar Barbara Heliodora, deve-se dizer que o Rio é mais apegado a suas tradições que São Paulo. Os prédios históricos, os pequenos costumes, o sotaque: tudo é muito “carioca”. Na capital paulista, quem manda é a modernidade, “a força da grana que ergue e destrói coisas belas”. O Rio tem história; São Paulo tem novidade. Se o carioca às vezes é visto como um estereótipo, o paulista não existe, é um mutante.

Uma viagem ao Rio sempre provoca boas lembranças: o bonde em Santa Tereza, a arquitetura do centro da cidade, o chopp, as belezas da geografia, a praia de Ipanema… (entre tantas outras coisas). Uma vez, após lembrar que o Rio foi capital de um império, um amigo perguntava: “que outras cidades do mundo podem dizer o mesmo?”

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