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as vitrines

Posted in consumo by Fabio Camarneiro on 28/08/2009

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Hoje fui a uma loja de roupas. Procurava uma coisa bem específica, um modelo que quase havia comprado em outra ocasião. Perguntei ao atendente pelo modelo que eu buscava, levemente diferente de um outro que estava exposto na vitrine. Ele respondeu naquele tom de gentileza pré-fabricada:

“Não existe esse outro modelo, mas nós temos este aqui, também muito bonito…”

Eu o informei de que o modelo que eu procurava também existia. Ele deu de ombros e nos despedimos ali mesmo.

Engraçado como parece que ninguém mais entende daquilo que vende. As lojas procuram apenas “vendedores”, uma espécie de genérico para alguém especializado em dialogar nesse tom de gentileza pré-fabricada, fazer algumas perguntas de formulário, manusear um caixa, organizar um estoque e oferecer diferentes opções ao comprador (na esperança de que, embriagado pela dúvida, ele leve todas as opções e pague tudo no cartão de crédito em dezenas de vezes, com juros a perder de vista).

Claro, um simples esforço em verdadeiramente preparar o funcionário resolveria grande parte desses problemas. Enquanto isso não acontece, nas livrarias, você precisa soletrar o nome do autor. Numa loja de roupas, precisa explicar a diferença entre dois tipos de tecido. Os restaurantes ainda parecem se salvar, desde que você não peça nada inusitado: alguns garçons precisam perguntar ao cozinheiro o que são os pratos do cardápio. Quando se trata de bugigangas tecnológicas, não se sabe se o vendedor entende muito do assunto ou se decorou um bando de especificações técnicas que nem ele sabe o que significam.

Em outro tempo, era possível até encontrar paixão em alguns vendedores. Eles tinham conhecimento sobre aquilo que estavam vendendo. Davam dicas, conversavam.

Se as coisas mudaram, a culpa é da economia: ninguém imagina fazer carreira em uma loja. É apenas um trabalho temporário, um bico. Para que se especializar em ração para animais se na outra semana pode-se estar em uma loja de calçados?

A economia contemporânea criou o “vendedor genérico”, mão-de-obra barata que é demitida em períodos de baixa e readmitida em períodos de alta, que pode trabalhar em qualquer ramo de atividade, que não reclama com o patrão (dá graças a Deus de estar empregado), e que está treinada a resolver todos os problemas com a mesma frase:

“Só um momento que eu vou estar verificando para o senhor…”

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