alto-falante

uma vez flamengo… seis vezes flamengo

Posted in futebol by Fabio Camarneiro on 08/12/2009

Parabéns ao Flamengo pelo seu sexto título brasileiro de futebol.
Mas verdade seja dita: o time da Gávea não era a melhor equipe da competição.
Apesar de todos méritos do rubro-negro, o título deveria ter ido para o Internacional de Porto Alegre (como estava indo até que, no Maracanã, aos 24 minutos do segundo tempo, o zagueiro Ronaldo Angelim marcou o gol do titulo flamenguista).
Aqueles que defendem o campeonato de pontos corridos afirmam que esse sistema seria mais “justo” do que, por exemplo, um quadrangular final.
(Muitos pensam que “justiça” e futebol tenham algo a ver, ignorando o azar, essa coisa maravilhosa que muitas vezes decide um jogo ou um campeonato.)
Para complicar um pouco a questão, este ano o Flamengo foi beneficiado justamente pelo tal sistema de pontos corridos. O rubro-negro encarou, nas duas últimas rodadas, Corinthians e Grêmio, times cujo único interesse ao enfrentar o time carioca era… perder.
O primeiro, para prejudicar o rival São Paulo; o outro, para impedir o título do Internacional.
Esses times não necessarimanete perderam seus jogos de maneira deliberada. Porém, também não tinham motivação nenhuma para vencê-los. E se essas partidas valessem algo a mais para Corinthians e Grêmio? Teríamos os mesmos resultados?
Impossível saber.
De qualquer forma, certo corpo mole parece ter sido decisivo na reta final desse brasileirão de pontos corridos. O que não tira os méritos do Flamengo.
O rubro-negro não deve essa conquista a Adriano ou Petkovic, mas a Andrade.
Meio campo do Flamengo no início dos anos 1980 ao lado de Zico e Adílio, Andrade assumiu o cargo em julho, enfrentando desconfianças de todos os lados. Terminou como o primeiro treinador negro a ser campeão brasileiro.

Outro que assumiu o cargo em julho foi Muricy Ramalho, no Palmeiras.
O primeiro jogo do Palmeiras sob o comando de Muricy foi uma vitória sobre o Fluminense. O time chegava ao primeiro lugar na tabela. Pouco mais de quatro meses depois, após ser derrotado pelo Botafogo por 2×1 no Engenhão, terminou o campeonato em quinto, fora da zona de classificação da Libertadores.
A torcida alviverde deve estar pensando: se Jorginho tivesse continuado no time, teria se tornado outro Andrade? Um “interino que deu certo”?
Impossível saber.
Um fim melancólico para um dos favoritos ao título.

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carta ao mano

Posted in futebol by Fabio Camarneiro on 05/10/2009

mano

Caro Mano Menezes,

Como você bem sabe, todo mundo que gosta de futebol tem um lado técnico. Mas, entre tantos amadores e seletos profissionais, acredito que você ainda é o melhor técnico do Brasil no momento.

Muitos vão reclamar dessa afirmação. Deixo claro que não se trata de desmerecer seus colegas Muricy Ramalho ou Vanderlei Luxemburgo (também excelentes). É apenas afirmar que, ao que parece, você tem mais visão de jogo e defende um futebol mais bonito de se ver.

Mano, como você bem sabe, ser treinador de uma equipe grande como o Corinthians não é fácil, ainda mais com uma Libertadores pela frente no ano do centenário do clube. Após a derrota para o Atlético PR em pleno Pacaembu, no último sábado, 3 de outubro, você avisou que pretende mudar o esquema tático do time. O 4-3-3 (que garantiu dois títulos este ano, do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil) não está mais dando certo.

Claro que poucos entendem de futebol como você. Menos gente ainda sabe do cotidiano do clube, da relação com os atletas, da quantidade de fatores levados em consideração para se tomar uma decisão dessas. Mesmo assim, quero deixar aqui uma dica, que você pode perfeitamente desconsiderar.

O esquema seria o 3-5-2. Os zagueiros: Chicão, William e Diego. No meio: na direita, Alessandro; Elias (ou Jucilei) como volante; Defederico e Edno (garantindo a armação das jogadas) e, na esquerda, uma surpresa: Jorge Henrique. Na frente: Ronaldo e Dentinho.

A ideia do Jorge Henrique na esquerda veio, na verdade, do Victor Birner, em um comentário feito há algumas semanas na rádio CBN. À primeira vista, achei estranho. Depois, pensei melhor e percebi que havia algo bastante sensato aí.

Se Jorge Henrique preencher o vazio que existe no lado esquerdo do time desde a saída do André Santos, então, Mano, você terá conseguido transformar o Jorge em um dos mais versáteis jogadores do elenco corinthiano desde sempre!

Além disso, esse esquema poderia garantir uma zaga reforçada, e também dois jogadores atuando nas pontas (Alessandro e Jorge Henrique) que sabem avançar para o ataque e marcam muito bem. Defederido e Edno, uma vez bem entrosados, podem garantir a qualidade da armação. E, para Dentinho e Ronaldo, restaria caprichar na pontaria e mandar a bola para as redes.

Talvez nada disso faça muito sentido, mas não tem problema. Termino mandando votos de boa sorte e torcendo para que você encontre ainda um outro esquema tático, oxalá muito melhor que este aqui!

Um grande abraço do

Fabio Camarneiro

diego armando maradona

Posted in futebol by Fabio Camarneiro on 09/09/2009

maradona cuca

Assunção, Paraguai. O time da casa vence os argentinos por 1×0, pelas eliminatórias da Copa de 2010.

A seleção de Maradona está em quinto lugar na classificação, com apenas mais dois jogos pela frente: Peru (adversário fácil) e Uruguai (adversário difícil, que jogará em casa).

Se o torneio terminar dessa maneira, os argentinos (bicampeões mundiais) terão que disputar na repescagem uma vaga à Copa do Mundo.

Difícil situação para Maradona. Um dos maiores jogadores de todos os tempos, dono de raça poucas vezes igualada, mestre no avanço do meio ao ataque, dotado de sorte, carisma, malandragem, habilidade… Está entre os melhores de todos os tempos, ao lado de Pelé, Di Stefano, Puskás, Cruyff, Zidane, Garrincha, Beckenbauer.

No banco de reservas, ao invés de lembrar algum desses craques, Maradona se parece com Cuca, atual comandante do tricolor carioca, o time lanterna da série A do Campeonato Brasileiro: um técnico que aprecia alguma ousadia, muitas vezes esquece de se precaver no sistema defensivo, e que aposta no emocional dos seus jogadores (quando ele mesmo é um tanto desequilibrado nesse quesito).

Nada contra Cuca. Ele pode ser um bom técnico, mas está longe do primeiríssimo time. Para minha análise, considero seu histórico e todos os problemas que enfrentou até hoje: ele sabe montar uma equipe como poucos, mas parece falhar em campeonatos mais longos, cheios de altos e baixos (coisa que Muricy Ramalho, por outro lado, sabe fazer bem, com seu método “devagar e sempre”).

Diego Armando Maradona foi um de meus ídolos de infância, quando eu acompanhava meu avô materno na torcida pela seleção de seu país. Maradona viveu o auge de conquistar uma Copa e depois o inferno do seu vício em drogas. Parece acostumado aos extremos. Mesmo assim, sua situação atual lembra um poema de Manuel Bandeira: “a única coisa a fazer é tocar um tango argentino”…

Don Diego e Cuca vivem momentos complicados. Seus maiores adversários: eles mesmos.

argentina 1×3 brasil

Posted in futebol by Fabio Camarneiro on 06/09/2009

maradona

O jogo começou truncado. Respeito mútuo: Argentina e Brasil não é um confronto qualquer.

Durante 20 minutos, a equipe de Maradona atacou insistentemente, mas sem levar muito perigo ao gol de Júlio César. Por outro lado, o Brasil não conseguia ultrapassar a forte marcação dos hermanos.

Parecia que o primeiro tempo terminaria sem gols. Até que, numa jogada de bola parada, o Brasil marcou.

Cobrança de falta. Elano se prepara para bater. Os hermanos marcam Kaká, Robinho, Luis Fabiano e companhia, deixando Luisão (um zagueiro) entrar na área livre de marcação. Gol de cabeça.

Argentina 0x1 Brasil.

Antes do final do primeiro tempo, outro gol. Todo atacante tem um pouco de sorte e um pouco de oportunismo: Luis Fabiano estava na hora certa no lugar certo, pronto para empurrar a bola para as redes após um bate e rebate na pequena área.

Intervalo: Argentina 0x2 Brasil. Era sabido que os Argentinos voltariam com toda carga. Tudo ou nada.

Os argentinos esboçaram uma reação. Aos 20 minutos, Dátolo ficou livre na intermediária (erro da defesa brasileira) e mandou uma bomba: gol da Argentina.

Maradona gritou. O estádio tremeu. A Argentina passou a acreditar na reação.

Mas, apenas três minutos depois, um passe genial de Kaká e um toque não menos genial, por cobertura, de Luis Fabiano. O Brasil decretava o placar da partida: 1×3.

Com o resultado, a seleção de Dunga está classificada para a Copa da África do Sul em 2010. Enquanto isso, Maradona amarga o quarto lugar na tabela de classificação, sob o risco de decidir a vaga argentina na repescagem.

Dunga tem muita sorte: é pragmático (monta o time para conseguir o resultado) e está amparado por grandes jogadores como Kaká. Por outro lado, Maradona é emotivo, melodramático (fez declarações pedindo o apoio da torcida de seu país), e está amparado por grandes jogadores como Messi.

Em Rosário, na disputa dentro de campo, Kaká foi melhor. Centralizou as jogadas do Brasil, sofreu muitas faltas e foi essencial em dois gols da seleção. Lionel Messi fez alguns bons dribles, mas nem de perto demonstrou a visão de jogo e o espírito de liderança do brasileiro.

Na disputa dos técnicos, Dunga sai da Argentina com o passaporte carimbado para a África do Sul. Maradona, se perder para o Paraguai na próxima quarta-feira, 9 de setembro, e deixar escapar a vaga, pode perder o cargo na seleção e sair pela porta dos fundos…

Triste ver um gênio da bola (um dos maiores) passar por situação tão delicada.

Aqui, uma bela análise de Dárcio Ricca sobre a partida, publicada no site do 3naCopa.

novas camisas

Posted in futebol by Fabio Camarneiro on 27/08/2009

novas camisas2

Duas novas camisas estrearam nos gramados na última semana.

Em Barueri, na quarta-feira, 26 de agosto, em um empate com os donos da casa por 2×2, o Corinthians colocou em campo a nova camisa roxa, agora com faixas verticais em preto. Uma variação de um clássico (as faixas verticais em negro), agora com um elemento novo (a cor roxa).

Já o Parque Antarctica, no sábado, 22 de agosto, viu algo mais radical: o Palmeiras estreou seu uniforme azul, com uma Cruz de Savóia no lugar do escudo do clube.

A tal cruz é um símbolo da Itália unificada. O novo uniforme homenageia o país de tantos torcedores do clube, que até a Segunda Guerra se chamava Palestra Itália. (Li em algum lugar que quem “escolheu” o azul teria sido a patrocinadora dos palmeirenses, que usa a mesmíssima cor em seu logotipo…)

O futebol brasileiro parece estar aprendendo o que significa “marketing”. Por um lado, isso deve gerar renda extra para os clubes e criar uma nova geração de torcedores (os torcedores-consumidores). Mas de que importa tanto penduricalho se os estádios estão às traças? De que serve tanto balangandã com os símbolos do time, se o torcedor não é tratado com o respeito que merece quando vai ver um jogo?

O maior “marketing” de todo clube deveria ser, antes de mais nada, investir naquele que faz do futebol um verdadeiro espetáculo: o torcedor.

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