alto-falante

ai weiwei

Posted in artes plásticas, política by Fabio Camarneiro on 18/03/2012

Na foto acima, de 1995, o artista chinês 艾未未 (Ai Weiwei) quebra um vaso da ditadura Han.

Conhecido por seu posicionamento contrário ao governo chinês, Ai diz, em entrevista a Fabiano Maisonnave, publicada no caderno Ilustríssima (Folha de S. Paulo, 18 de março de 2012):

 

Comecei a usar o iPhone porque tem essa câmera de alta definição e eu preciso dela. O iPhone é um exemplo interessante. Todos adoram o iPhone, a nova geração adora, mas, ao mesmo tempo, essas fábricas exploram países como a China. As pessoas não têm direitos básicos, não existe a proteção dos sindicatos. Portanto, é um tipo de escravidão, já que os trabalhadores não têm escolha.

Se alguém pula da janela e sacrifica a vida aos 20 anos, não há outra explicação. É escravidão. E não foi só um, foram 20 trabalhadores [que se suicidaram em fábricas de iPhone]. Para a Apple é facílimo fazer fábricas na China, ela tem 1 milhão de trabalhadores.

Não queremos só ser politicamente corretos. Tendo ou não iPhone, todos participamos do desenvolvimento moderno. Você não precisa ter um iPhone para participar da poluição, da burocracia. É por esse motivo que todos devem ser conscientes dos direitos humanos. Ninguém é totalmente limpo, nosso conforto está sempre relacionado ao sofrimento de alguém.

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lição de política

Posted in política by Fabio Camarneiro on 27/08/2009

José Sarney

Os eventos das últimas semanas no senado federal me ensinaram um pouco mais sobre “política partidária”.

Vejamos: José Sarney metido até o pescoço em denúncias. Uma campanha maciça na imprensa, a opinião pública mobilizada.

Mas o PT não pode perder o apoio do PMDB (nem no legislativo, nem para as próximas eleições) e encampa um movimento para isentar Sarney das acusações.

Aloizio Mercadante anuncia sua renúncia irrevogável da liderança do partido no senado, mas volta atrás. Eduardo Suplicy, que nada havia feito até então, resolve sair da coxia e encenar uma performance de indignação, mostrando um cartão vermelho para o presidente da casa.

Em meio a todo o barulho, Sarney segue na presidência do senado.

A política partidária funciona na base do “você precisa do meu partido, logo o seu partido me apoirá”. Nenhuma novidade nisso. A velha lógica do “uma mão lava a outra”.

A dúvida que resta: será que nesse jogo absolutamente tudo é passível de negociação? O apoio de um partido a outro deve ser irrestrito? Um certo toma-lá-dá-cá parece inerente ao jogo político, mas existe algum limite moral para nossos deputados e senadores? Alguma ideia de ética ainda persiste? Há algum escrúpulo para as negociatas? A chamada “identidade ideológica” virou um anacronismo? O jogo político brasileiro está acima das leis do país?

Por enquanto, não arrisco respostas a essas questões.

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